Batatais

As primeiras notícias que se tem da região onde fica Batatais são do final do século XVI. Entre 1594 e 1599, os Afonso Sardinha - tanto o pai como o filho - e João do Prado alcançaram as margens do Rio Jeticaí, hoje Rio Grande. Nessa marcha, provavelmente atravessaram a “Paragem do Batatais", então habitada pelos índios caiapós. A região foi também visitada por Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhangüera. Em busca de ouro, que acabou encontrando em 1725, em Vila Boa, Goiás, seguiu as trilhas indígenas, que passaram a ser conhecidas como Caminho dos Guaiases. Após a descoberta de riquezas em Goiás, o Caminho dos Guaiases atraiu muita gente. Para legitimar a posse dessas terras, foram concedidas sesmarias e estabelecidas numerosas fazendas, pertencentes a paulistas, em sua maioria vindos de São Paulo, ltu, Santos e São Vicente, já que o Caminho se tornou uma parada dos bandeirantes rumo às minas de ouro de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

É bastante controvertida a temática sobre a origem e significado em torno do nome da cidade de Batatais. O que se sabe porém, é que este denominador –Batatais - para a atual região , remonta à época colonial; referências foram encontradas nos relatos de viagens e cartas de bandeirantes que desbravaram a região nordeste de São Paulo desde o século XVII. Esses sertanistas, penetravam o sertão brasileiro em busca de mão-de-obra indígena, ouro e pedras preciosas.
Quando em 1725 foi oficializada a descoberta de ouro no sertão de Goiás pela bandeira de Anhangüera II, a região dos “Campos dos Batataes” torna-se passagem obrigatória para os novos entrantes e principal razão para as primeiras ocupações. A posse e domínio legal dessas paragens - que, de modo geral, designava toda a região entre os rios Pardo e Sapucaí – foi passada por carta de doação de sesmaria em 1728 a Pedro da Rocha Pimentel.
Já no início do século XIX , a primitiva povoação de Batatais se formou ao redor de dois pousos : um ficava na “Fazenda dos Batataes” e outro na “Fazenda Paciência” junto ao caminho aberto pelos viajantes rumo à Goiás. Ainda nessa
época, a região tinha como fator preponderante para sua subsistência e mesmo fixação a economia de “beira de estrada”, que promovia no decorrer do caminho a formação de pequenos pousos, ranchos, paragens e fazendas. Os primeiros moradores eram, em sua maioria vicentinos e portugueses; posteriormente, a região recebeu um grande número de mineiros, todos estes, desde os primórdios sobreviviam da cultura de subsistência de gêneros alimentícios e na criação de porcos e gado e com as trocas comerciais com os viajantes.
No decorrer do século XIX, já como Freguesia ( 1815) desmembrada da Freguesia de Franca, a região foi se desenvolvendo lentamente, vivendo da exportação de toucinho, produção de cana-de-açúcar e gado. Até que pelos idos de 1870, Já então elevada à categoria de cidade, ocorre a introdução da lavoura cafeeira . A partir daí, a cultura do café, assume a condição de principal lavoura da região.
Vale ressaltar que, com o advento do café, vêm se integrar junto aos antigos moradores as famílias de imigrantes italianos, espanhóis, sírio-libaneses e japoneses.
Existem pelo menos três versões históricas conhecidas para o significado do topônimo Batatais.
- uma das versões mais aceitas ,baseada em relatos de época,
está a ligada a atividade agrícola dos habitantes naturais da região – o gentio caiapó. Os primeiros bandeirantes teriam encontrado por aqui extensas plantações de batatas (roxa) “feitas pelos índios e descobertas, em gostosa surpresa, pelos primeiros habitantes paulistas e mineiros”;

- outra versão também enaltecedora da presença indígena na região, seria a que Batatais, deriva de baitata, que segundo alguns pesquisadores locais significa em tupi “rio cascateante entre pedras”, referência às nossas belezas naturais. Crê-se também que outra origem viesse do tupi mboitata – cobra de fogo, que na crença dos índios, era o gênio que protegia os campos contra os incêndios.
- estudos recentes de um renomado historiador local, nos atenta para mais uma possível hipótese, ou pelo menos o desmantelamento das duas anteriores: pondera que a atual Batatais não foi território habitado por tupis, mas sim por caiapós, que não falavam a língua geral tupi; e, nada se encontra que ao menos de longe lembre dentre os mitos caiapós a expressão mboitata baitatá. Considera ser pouco provável que os caiapós usassem uma palavra tupi para designar território por eles habitado. Segue afirmando ser baitatá expressão variante de mboitatá; portanto não existiria a possibilidade de ser baitatá “rio cascateante entre pedras”. E lança uma nova hipótese: acrescenta que o topônimo Batatal ou Batatais foi comum nas regiões onde ocorreu mineração, que não foi o caso da nossa Batatais. A expressão “batatal” era usada pelos mineradores no século XVII e XVIII para designar o local onde se achava ouro de superfície, acredita pois, que a expressão foi usada inequivocamente para designar nossa região, pois
temos que considerar a total ausência de cartas geográficas precisas datadas do século XVII e XVIII, e nos lembrarmos que outros “batatais” existiram no atual estado de Goiás.
O nome Batatais aparece em documentos legais justamente na doação de uma sesmaria com esse nome, em 5 de agosto de 1728, pelo Governador da Capitania de São Paulo, Antônio da Silva Caldeira Pimentel, a Pedro da Rocha Pimentel. Pouco depois, no começo do século XIX, havia 15 posses de sesmarias na região que hoje é chamada de Batatais. Elas foram se dividindo, dando origem a fazendas. Em 1801, Batatais era um povoado de meia dúzia de casas humildes. Nove anos depois, já tinha um pequeno cemitério e recebia o nome de Arraial de Batatais, e em 1814 já existiam capelas e povoados na região.

No dia 25 de fevereiro de 1815, o capitão-geral da Capitania de São Paulo, atendendo os desejos dos moradores do Arraial de Batatais, levados ao Bispo de São Paulo, pediu ao Príncipe Regente, futuro Dom João VI, que o Arraial dos Batatais fosse elevado à categoria de Freguesia de Bom Jesus da Cana Verde e o local foi transformado em freguesia, sob a proteção do Senhor do Bom Jesus dos Batatais, incluindo territórios situados entre os Rios Pardo e Sapucaí. Foi graças à Anselmada que, em 14 de março de 1839, o Presidente da Província de São Paulo, Dr. Venâncio José Lisboa, promulgou a lei tornando a freguesia de Batatais uma Vila, com uma câmara municipal e uma cadeia, passando a ser um município com governo próprio.
Portanto, no início de sua formação, a região era composta por fazendas, próximas à estrada que demandava o Triângulo Mineiro e o Planalto Goiano (Caminho de Goiás), a maioria destas fazendas originara-se do apossamento pacífico de terras que o tempo legitimara e que as heranças consolidaram.

Nota: Morro Agudo foi desmembrado do município de Batatais...