sexta-feira, 20 de maio de 2011

Colinenses nº 4 - Terceirizando a Paçoca - crônica do Emb. Renato Prado Guimarães



Terceirizando a Paçoca

                         As botas do Paçoca continuam fazendo sucesso. Viraram também como um símbolo de meu retorno a Colina. Mais que símbolo, sinal muito real: afinal eu cheguei de volta calçado nelas. Para mim, um sinal até meio totêmico.
                        A demanda cresceu, eu mesmo encomendei vários pares, para amigos e amigas,  acabei com o estoque de couro em minha cor favorita. Até brinquei: o Paçoca tá vendendo tanto que vai acabar terceirizando!
Dito e feito. Outro dia ele se desculpou por não ter cumprido um prazo porque o artesão externo que costurava a sola estava doente... Além de terceirizar, ele expande a capacidade produtiva própria.  Passei por lá, na Sapataria Fera, para ver como estava minha última encomenda (eu acompanho passo a passo a produção), e  o encontrei assistido por jovem aprendiz, já batendo sola, aplicadamente.
                        E nem sombra do couro que eu queria para uma amiga venezuelana, que viu as minhas botinas e me fez prometer que lhe conseguiria também um par. Tive que mendigar o prazo de entrega e aceitar em outro tom.
                        Venezuelana? Sim, as botas do Paçoca são unissex e, depois de festejadas nas Oropa, partem agora para conquistar as Américas.
                        Por sinal, os calçados feitos por encomenda são agora dedicados, datados e assinados. Eles passaram a trazer, naquela parte protegida da sola, contígua ao salto, esta inscrição: Made in Colina para Fulano de Tal em xx/yy/xyzw.  E aí vem a assinatura: Fernando Paçoca.
                        Marketing avançado...
                        Como comentou um amigo, divertido: esse Paçoca é uma fera da sapataria.


SOBRE O AUTOR:

Renato Prado Guimarães nasceu em Colina, Estado de São Paulo.
Começou a carreira profissional como jornalista, nas “Folhas” e no “O Estado de S. Paulo”; paralelamente, formou-se na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco.Diplomata desde 1963, foi Secretário de Embaixada em Bruxelas e Bogotá, Chefe do Escritório Comercial do Brasil nos EUA, Cônsul Geral ad interim em Nova York, Ministro-Conselheiro na Embaixada em Washington e Encarregado de Negócios junto aos EUA, ad ínterim.Promovido a
Embaixador em 1987, exerceu aquela função na Venezuela, no Uruguai e na Austrália (cumulativamente, também na Nova Zelândia e em Papua-Nova Guiné). Foi igualmente Cônsul-Geral do Brasil em Frankfurt, na Alemanha, e em Tóquio, no Japão.
No Brasil, foi Chefe da Divisão de Programas de Promoção Comercial, porta-voz do Itamaraty na gestão Olavo Setúbal e Chefe do Gabinete do Ministro Abreu Sodré; fora de Brasília, foi Chefe do Escritório do Ministério das Relações Exteriores em São Paulo – ERESP, que instalou. Aposentou-se em abril de 2.008. Reside atualmente em Colina, sua terra natal, interior de São Paulo, Brasil.

É o autor de “Crônicas do Inesperado”, lançado em outubro de 2.009.
Para contatos, usar o endereço de e-mail rpguimar@gmail.com


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